Em 2026, a gestão de SST (segurança e saúde no trabalho) está em um ponto de inflexão no Brasil.
Não se trata apenas de cumprir obrigações legais ou deixar a empresa alinhada com a legislação: o cenário atual exige maturidade técnica, integração de processos, foco preventivo e uma visão estratégica da segurança como parte essencial da cultura organizacional.
A cada ano, as exigências regulatórias e operacionais se tornam mais rigorosas, e as empresas que antecipam essas mudanças ganham vantagem competitiva, reduzem riscos financeiros e protegem sua maior riqueza: as pessoas.
Neste artigo vamos explorar as principais mudanças e prioridade da SST em 2026, abordando as novas Normas Regulamentadoras (NRs), as exigências do e Social, as tendências de gestão e o papel da tecnologia e do comportamento humano nesse novo contexto.
O papel transformador das novas Normas Regulamentadoras
As Normas Regulamentadoras (NRs) foram reformuladas para refletir os novos desafios do mundo do trabalho e trazer clareza à gestão de riscos. Em 2026, algumas mudanças ganham destaque e precisam fazer parte do planejamento de qualquer programa de SST.
A nova NR-1 e os riscos psicossociais
A NR-1, que trata dos requisitos gerais de SST, passou por uma atualização que incorpora os riscos psicossociais ao Programa de Gestão de Riscos (PGR).
Ou seja, fatores como estresse, assédio, sobrecarga de tarefas, falta de controle sobre o trabalho e relações interpessoais inseguras passam a ser formalmente considerados riscos ocupacionais e exigem identificação, avaliação e medidas de controle claramente documentadas no PGR.
Este é um ponto de atenção importante: muitas empresas não estão preparadas para documentar de forma técnica e rastreável esses riscos, o que pode gerar inconsistências em auditorias e potenciais penalidades no sistema do eSocial.
NR-34 (Anexo III): escadas de uso individual
Outro destaque em 2026 é o novo Anexo III da NR-35, que trata das escadas de uso individual.
A regra exige que escadas portáteis sejam tratadas como equipamentos de trabalho, com inventário, critérios de uso, inspeções frequentes e derivados de proteção, e não mais como soluções improvisadas.
Isso eleva a responsabilidade das empresas em mapear onde e como as escadas são utilizadas, além de orientar e treinar os trabalhadores sobre riscos e medidas de controle, como alternativas mais seguras (andaimes, plataformas elevatórias etc.).
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NR-16 (Anexo V): periculosidade para motociclistas
A nova versão do Anexo V da NR -16 que entra em vigor em abril de 2026, especifica critérios de periculosidade para atividades com motocicletas em vias públicas.
Isso impacta diretamente setores como logística, distribuição urbana e delivery, exigindo laudos técnicos adequados e revisão das práticas internas de trabalho para caracterizar ou descartar a periculosidade conforme o caso.
eSocial e as novas exigências para eventos de SST
Uma das prioridades da SST em 2026 é a qualidade das informações transmitidas no eSocial.
Além de cumprir os prazos legais, as empresas precisam garantir que os dados enviados, de risco ambiental a acidentes do trabalho, sejam coerentes, técnicos e sustentados por documentos oficiais.
Multas mais rígidas e exigência documental
Desde julho de 2025,as regras de multas do eSocial estão mais objetivas, transformando inconsistências, retificações incorretas ou falta de evidências em risco financeiro para as empresas.
Em 2026, essas penalidades estarão plenamente em vigor, e a menor divergência entre o que é praticado e o que é declarado pode resultar em autuações.
Por exemplo, enviar um inventário de risco que não corresponde ao inventário real de riscos da operação, ou omitir evidências de mitigação, pode gerar multas administrativas.
Isso torna essencial o uso de sistemas de auditoria interna, controle de versão de documentos e revisão técnica antes do envio de eventos SST ao eSocial.
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Eventos S-2240 e retificações
Os eventos S-2240 que trata das condições de ambiente de trabalho e fatores de risco, merecem atenção especial.
A regra especial recomenda que a retificação seja feita apenas para corrigir erro material, mantendo um claro registro histórico das alterações.
Caso contrário, a perda de histórico pode comprometer auditorias futuras e gerar penalidades adicionais.
Tendências que vão além da conformidade legal
Enquanto as NRs e o eSocial definem o mínimo legal, várias tendências de SST para 2026 apontam para práticas que vão além da conformidade, e que podem transformar a segurança em diferencial competitivo.
Tecnologia como aliada da prevenção
A tecnologia é uma das maiores aliadas da SST moderna. O uso de sensores inteligentes, dispositivos vestíveis (wearables), sistemas de monitoramento em tempo real e plataformas integradas permite:
- antecipar riscos com base em dados históricos e sensoriais;
- detectar falhas ou condições não conformes antes que se tornem acidentes;
- melhorar a visibilidade das condições de trabalho e compliance.
Segundo especialistas, cada vez mais empresas usarão ferramentas digitais para identificar padrões de risco e oferecer respostas rápidas em operações críticas.
Foco no comportamento humano
Apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano continua central na gestão de riscos. Estudos indicam que grande parte dos acidentes ainda está ligada a decisões inseguras ou normalização de comportamentos de risco.
Por isso, a SST em 2026 prioriza o desenvolvimento de uma cultura de segurança, com treinamentos contínuos, diálogo sobre quase‑acidentes e envolvimento das lideranças.
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Integração da SST com a gestão do negócio
Cada vez mais, a segurança deixa de ser um setor isolado e passa a fazer parte da estratégia da organização.
Uma abordagem integrada entre SST, RH, produção e ESG (Environmental, Social and Governance) ajuda a:
- reduzir afastamentos e custos indiretos;
- melhorar a produtividade e o engajamento;
- fortalecer a reputação da marca perante clientes e parceiros.
Desafios e prioridades práticas para 2026
Para que a SST em 2026 seja mais efetiva, as empresas precisam transformar os requisitos técnicos em ações práticas e integradas no dia-a-dia, Alguns pontos prioritários incluem:
Mapeamento de riscos dinâmico
A simples avaliação anual de riscos já não é suficiente. Em 2026, a expectativa é que muitas organizações adotem um mapeamento contínuo, com atualização sempre que houver mudanças operacionais, de layout ou de pessoal.
Integração entre RH, SESMT e contabilidade
Com a nova NR-1 e as exigências do eSocial, é fundamental que setores como RH, contabilidade e SESMT trabalhem de forma integrada.
A troca de informações claras reduz erros, evita duplicidade de documentos e assegura que os eventos de SST sejam consistentes e completos.
Treinamentos recorrentes e comunicação eficaz
Investir em treinamentos preventivos, não apenas reativos, é prioridade para 2026. Isso significa preparar equipes para cenários excepcionais, mudanças tecnológicas e possíveis alterações nas rotinas. A comunicação contínua sobre riscos, seja por meio de painéis, aplicativos ou reuniões periódicas, ajuda a reforçar comportamentos seguros e evitar complacência.
A importância de enxergar a SST como investimento
A segurança e saúde no trabalho é frequentemente vista como custo ou obrigação. Porém, em 2026, as empresas mais bem‑sucedidas já perceberam que SST é um investimento com retorno mensurável. Uma gestão eficaz pode:
- reduzir acidentes e afastamentos;
- diminuir passivos trabalhistas e multas;
- melhorar a produtividade e retenção de talentos;
- fortalecer a reputação no mercado;
- reduzir custos operacionais a longo prazo.
Conclusão: SST em 2026 é sobre antecipação, integridade e estratégia
O panorama da SST em 2026 exige mais do que conformidade com a legislação: demanda uma gestão integrada, dados confiáveis, uso inteligente da tecnologia e foco constante nas pessoas.
As novas NRs, as regras do eSocial e as tendências comportamentais e tecnológicas reconfiguram o jeito de pensar e aplicar a segurança no trabalho.
Empresas que se anteciparem a essas prioridades estarão mais preparadas para reduzir riscos, evitar penalidades e construir ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. Essa é a verdadeira essência da SST, proteger vidas e transformar a cultura organizacional.
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